quinta-feira, 27 de junho de 2013

Livros escolares são usados como material de queima em fábrica de tijolos

Servidores municipais encontraram milhares de livros sendo utilizados em fornos de cerâmica. Secretária de educação contesta a denúncia
Acompanhando o crescimento das recentes manifestações populares no interior do Maranhão, as quais vêm questionando o poder público instituído nas diferentes esferas administrativas, uma polêmica envolveu denúncias de servidores contra a gestão municipal de Itapecuru-Mirim, em torno de material didático que estaria sendo usado como carvão. No início da semana, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da cidade, Jorge Silva dos Santos, informou a O Imparcial que cerca de 10 mil livros teriam sido entregues pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) a uma cerâmica da região, a fim de servirem como fonte de energia térmica para a queima de tijolos.

Segundo o denunciante, o material fazia parte do acervo da rede municipal de ensino, compreendendo livros publicados entre os anos de 2011 e 2013. Jorge Silva dos Santos disse que, após ter verificado com outros professores da cidade a existência dos livros na cerâmica, o grupo pediu esclarecimentos ao gerente do estabelecimento, cujo nome foi mantido em sigilo, mas que teria confirmado o fornecimento dos volumes pela Semed.

O líder sindical informou à reportagem ter ainda procurado diretamente os gestores municipais de educação responsáveis pela ação, mas não teria recebido dos mesmos qualquer justificativa para a destinação dos livros escolares. Diante da falta de esclarecimentos, o professor decidiu denunciar a situação à população local, a qual, segundo ele, demonstrou discordância em relação à medida.

Semed
 
Por telefone, a secretária de educação de Itapecuru-Mirim, Elizângela Maria Marinho Pereira, explicou que o material entregue à cerâmica não tinha mais serventia para as atividades e programas educacionais que seriam implantados pela Semed. Segundo ela, quando a atual equipe gestora assumiu a pasta da educação municipal, teria encontrado os volumes em uma casa. No entanto, os livros em bom estado teriam sido selecionados e encaminhados às escolas itapecuruenses, sendo descartado o material sem utilidade.
A professora discordou que a quantidade de volumes na cerâmica atingisse os 10 mil exemplares, e a maior parte consistiria de obras ultrapassadas, anteriores ao acordo ortográfico da língua portuguesa, além de manuais de orientação de provas, catálogos antigos de livros, ou diários escolares não preenchidos com a logomarca de gestões municipais anteriores.
Elizângela Maria Marinho Pereira disse acreditar que as denúncias partiram de servidores que atuam em oposição à atual gestão pública itapecuruense, visando a fragilizar a administração municipal. Contudo, a secretária disse ter contado com a ação dos servidores, e teve a preocupação de elaborar um documento explicando os motivos da iniciativa de entregar o material à cerâmica, bem como descrevendo o material encaminhado.
A secretária de educação disse que vai resguardar-se de manifestações públicas a respeito do incidente, devendo aguardar uma eventual notificação oficial ao Ministério Público, caso os denunciantes tenham relatado a matéria à Promotoria de Educação.

Rede de ensino 
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012, o ensino fundamental da rede municipal de ensino em Itapecuru-Mirim registrava 496 professores e 11.274 matrículas, em 112 escolas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário