segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Quadro de Ricardo Gomes segue grave, mas estável

Treinador sofreu um AVC na tarde de domingo e precisou passar por uma cirurgia. Não houve complicações durante a madrugada, diz hospital

 
O técnico do Vasco Ricardo Gomes é atendido durante a partida entre Flamengo x Vasco, neste domingo (28), no Estádio Engenhão. O técnico foi levado ao Hospital Pasteur, no Méier e está internado no CTI (Marcelo Carnaval/Agência O Globo)

O quadro de saúde de Ricardo Gomes, técnico do Vasco, permanece grave, porém estável, nesta segunda-feira. Gomes foi submetido no final da noite de domingo a uma cirurgia para reduzir a pressão intracraniana provocada pelo acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico sofrido durante o confronto Vasco e Flamengo, válido pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. O treinador será reavaliado por uma junta médica nesta manhã. De acordo com informações do hospital, não houve qualquer intercorrência durante a madrugada. A tomografia realizada após a operação mostra que o hematoma foi totalmente removido e a pressão intracraniana está sob controle.

Gomes está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Pasteur, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e segue em coma induzido. Ele respira com o auxílio de aparelhos. "O coágulo foi drenado. O quadro é favorável e as próximas 72 horas serão decisivas para avaliar e consolidar a situação. Isso quer dizer se provavelmente haverá sequelas ou não", declarou Clóvis Munhoz, médico do Vasco que acompanha o caso. Segundo disseram os médicos, após a reavaliação desta segunda, pela manhã, o pós-cirúrgico do paciente está evoluindo bem, sem apresentar intercorrências. No momento, não há previsão de novos procedimentos.

Ricardo Gomes começou a passar mal a cerca de 20 minutos do segundo tempo do clássico carioca, no Engenhão. Ele se sentou no banco de reservas e levou a mão à boca. O médico da seleção e do Flamengo, José Luiz Runco, também auxiliou no atendimento inicial. Em fevereiro do ano passado, quando dirigia o São Paulo, Gomes sofreu um princípio de AVC. Antes da divulgação do diagnóstico, o médico vascaíno Clovis Munhoz disse que o novo problema não tem relação com o antigo susto, que teria sido apenas uma forte dor de cabeça.

Para o médico do Vasco, Alexandre Campello, o atual problema de saúde do técnico tem relação com aquele que o técnico teve quando ainda treinava o São Paulo, em 2010. 'Certamente sim [tem relação]. Ele teve uma isquemia transitória, e isso acontece por pico hipertensivo. Talvez ele tem uma pressão arterial mal controlada", disse o médico, em entrevista para o SporTV. Ainda segundo Campello, Ricardo Gomes tomava medicamentos para controlar o problema, mas de forma irregular.

No domingo, após o treinador ser levado de ambulância do Engenhão, onde o Vasco enfrentava o Flamengo, Clovis Munhoz, outro médico cruz-maltino, tratou de evitar relações, e considerou que o pequeno AVC que o técnico teve no tricolor paulista não tinha nada a ver com o atual. Apesar de o estado do comandante cruz-maltino ser grave, Campello se animou com a diminuição do hematoma após a cirurgia na noite de domingo.

Em contato telefônico com a Gazeta Esportiva, o doutor Marco Aurélio Cunha, que trabalhou com Ricardo Gomes no São Paulo e é amigo do treinador, afirmou não ter conhecimento de outros problemas de saúde relacionados à situação que o comandante viveu no Tricolor. "O Ricardo sempre teve contato comigo, falei com ele quinta e sexta, por telefone. Depois de diagnosticado e fazer o tratamento [no São Paulo], ele passou a levar uma vida normal, como qualquer paciente que tem um problema e se trata. Não sei se o nível de pressão arterial teve alguma alteração, pois ele não estava aqui conosco", afirmou.

"O tratamento foi feito e ele retomou sua vida normalmente. Se ele tivesse tido alguma queixa, o que acho que ele não teve, ele deveria procurar tratamento, mas não soube de algum outro problema", completou Marco Aurélio. Após a cirurgia, Campello evita falar sobre possíveis sequelas no comandante cruz-maltino. Segundo ele, por Ricardo estar sedado, não é possível saber se o comandante teve sua fala ou motricidade prejudicadas. Em 72 horas, quando a sedação deverá ser diminuída, ele será avaliado.

(Com agência Gazeta Press)
Edição: Cícero Ferraz

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